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terça-feira, 25 de agosto de 2009

Ver Paris (5)

Le Petit Parisien: 3 Plans par Arrondissement

Mapa / Guia - Apreciação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Temos aqui uma excelente edição para turistas, em forma de caderno, com os mapas organizados por arrondissements - três por cada, com respectivamente: 1) informações sobre a rede de metro; 2) informações comuns; 3) informações sobre a rede de autocarros urbanos. É fácil de manusear e com um grafismo indicado para se obter rápidas localizações. Indicado para levar para todo o lado. Em todo o caso, note-se, que, sendo uma metrópole cuja área metropolitana atinge quase 10 milhões de habitantes, tem uma rede de transportes à altura das suas necessidades, organizada e sinalizada de modo a permitir a qualquer um, incluindo forasteiros, uma utilização fácil. Sabe-se como a rede de metro é exemplar, pois chega a todo lado e demonstra em alto grau essas qualidades de organização e sinalização. Contudo, andar debaixo do chão numa cidade como Paris é desperdício...
Já agora uma observação para a organização em arrondissements. À imagem dos départements, deve ser uma das heranças do racionalismo jacobino em matéria de administração territorial. Mas, do mesmo modo, foi a divisão adequada, na medida em que está entranhada na vida da cidade e parece ser, ao contrário das nossas freguesias urbanas, funcional.


segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Ver Paris (4)

Daniel Quesnay - Rétour à Paris (2005)

Livro - Apreciação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Os postais tiveram o seu tempo de glória quando ainda não havia turismo de massas, ou seja quando não havia ainda folhetos e filmes. Foi há um século atrás. Em rigor, não se pode dizer que fossem um recurso de divulgação turística. Havia, sobretudo, propósitos artísticos ou documentalistas na utilização de um recurso, a fotografia, relativamente novo e sem concorrência em matéria de registo visual. Por outro lado, o turismo estava reservado a elites que optavam por um restrito leque de destinos conhecidos e prestigiados.
Se há cidade que tem muitos postais, Paris é uma delas. Neste álbum o que se faz é, nos mesmos sítios, comparar postais de há um século com fotos da actualidade. O objectivo deste tipo de obras é causar surpresa pelas mudanças que se ilustram - o que é fácil de conseguir em quem está familiarizado com os respectivos lugares. Porém, para quem não está familiarizado, não é tanto assim... É que o distanciamento permite outras observações. Nesta linha, diria que o álbum aqui em apreço pode servir tanto para verificar mudanças como para constatar permanências.
Paris não é uma cidade refeita e muito menos em ruínas. Lisboa e Porto são cidades simultaneamente refeitas e em ruínas - refeitas na forma abrupta como se implantaram tão grande quantidade de novos edifícios; em ruínas, na forma desleixada como se degradaram tão grande quantidade de velhos edifícios. Paris restaura, preserva, adapta. É certo que não foi sujeita a bombardeamentos como outras cidades europeias, mas não é menos certo que a harmoniosa continuidade na evolução do património edificado retrata uma força de carácter. Basta ver o que é detectável neste livro: exteriormente, as casas de Paris, hoje, são como há um século atrás. Das chaminés às persianas. O estilo mantém-se e o moderno integra-se; e moderno com impacto, se for preciso...


terça-feira, 18 de agosto de 2009

Ver Paris (2)

Sylvain Augier - Paris Vu du Ciel (2009)
DVD - Apreciação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Este DVD, também da Éditions Montparnasse, pode ser considerado um complemento de Paris, la visite. Os objectivos são diferentes. Dado cingir-se a meios exclusivamente aéreos, o que se pretende são visões panorâmicas. À partida, as cidades mais indicadas para um documentário deste género são as que estão situadas em enquadramentos naturais com impacto, a não ser que sejam suficientemente monumentais... Ora, esse é o caso de Paris. Reconheça-se que não serão muitas as cidades, que só por si, sustentariam um documentário exclusivamente aéreo, com quase uma hora de duração.
Sylvain Augier, o realizador, já tem no seu curriculo La France Vue du Ciel e Le Nord - Pas de Calais Vu du Ciel. É um especialista em documentários aéreos. Aqui temos mais uma prova. A única menor valia a assinalar é que a qualidade técnica do vídeo não está ao nível de excelência de, por exemplo, Paris, la Visite.

Ver Paris (1)

François Margolin - Paris, La Visite (2002)
DVD - Apreciação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Antes de mais, diria que estamos perante o
non plus ultra em matéria de documentários sobre cidades. A Montparnasse Édtions é a responsável e, deve-se dizer que tendo em conta mais outros dois DVDs (Louvre, Versailles) da mesma colecção, La visite, é uma editora que convém registar como referência de qualidade.
Neste documentário tudo é excepcional:
a qualidade de vídeo, que não sendo HD, não deixa de ser soberba; o texto, que reúne qualidades literárias e informativas; o conceito que lhe está subjacente e que reproduz num ciclo de 24 horas a evolução histórica da cidade; a fotografia, oscilando adequadamente entre o poético e o realista; a música, através de bonitos temas alusivos à cidade e que podem também ser vistos como videoclips autonomamente. Este último aspecto é de relevo, pois basta dizer que o primeiro tema é Il est Cinq Heures, Paris s'Éveille, de Jacques Dutronc e o último é Mon Manège à Moi, de Edith Piaf. Diferentes facetas da cidade são apresentadas de modo sugestivo. E a matéria-prima é do melhor. Ou seja, Paris é o que é, dos seus encantos já tudo parece ter sido mostrado, mas o documentário consegue ajudar a conhecer e amar ainda mais a cidade.


domingo, 16 de agosto de 2009

Paris: Brasseries

François Thomazeau / Sylvain Ageorges - Brasseries de Paris (2006)

Livro - Apreciação: 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

Reconhecer uma brasserie é fácil, mas definir em que consiste é mais difícil... A introdução do livrinho começa precisamente por este paradoxo, que se acentua com a resenha histórica de como surgiram e se desenvolveram. Com efeito, hoje em dia, é difícil perceber a sua origem popular. Além disso, caracterizava-se por servir rápido. Foram nesse tempo (último terço do século XIX) uma espécie de fast food (vade retro, miserável evocação!), invenção de alsacianos. Saber isto faz surgir a comparação com as cervejarias. É, talvez, uma comparação aceitável desde que eliminemos a conotação popularucha que lhe está associada. É que, mesmo na sua modéstia inicial, as brasseries ambicionavam uma certa elegância. Aliás, desde o início que foi evidente que tinham um caminho a seguir. Antes de terminar o século XIX, já eram interclassistas e muitas eram frequentadas por artistas, intelectuais e políticos. Com o tempo, evoluíram e tornaram-se requintadas sem caírem no elitismo.
Hoje em dia, são uma referência no que à boca diz respeito, mas também, note-se, no que diz respeito à vista. De facto, seguindo ou não o dominante estilo art déco, são espaços com encanto. O serviço, impecavelmente ataviado, é desembaraçado, simpático e eficiente. Dentro deste molde há variedade. Algumas são castiças, como Au chien qui fume e Au pied de cochon (ambas na zona de Halles). Outras são quase instituições de serviço público, como L'Alsace, em pleno Champs Elysées - pejada de turistas e aberta 24 horas por dia (não é a única). Outras acolhem VIPs do millieu político e intelectual, como a Lipp, em Saint-Germain-des-Prés. Outras, ainda, estão integradas em edifícios de grandes gares, onde, de certo modo, se pode reviver os tempos áureos do caminho-de-ferro, como Terminus Nord (Gare du Nord) e Le train bleu (Gare de Lyon).
O livrinho aqui em apreço é um guia com informações e fotos sobre 49 das mais conhecidas brasseries de Paris, agrupadas por arrondissaments. O texto é de François Thomazeau e as fotos são de Sylvain Ageorges. É da editora Parigramme, especializada em temática sobre a cidade. É de ter em conta para os amantes de Paris e da boa mesa.
E termino, voltando à questão inicial. Como definir brasserie? É incontestável o seu lugar na hierarquia da restauração. Mas, mais do que estar acima de bistrôt e abaixo de réstaurant, é um lugar que se distingue pelo estilo e ambiente, o qual se pode resumir em descontracção, elegância, bom gosto e sentido prático.

Paris: O Bom-Gosto das Coisas Comuns




É trivial reconhecer a beleza de Paris. Mas, convém nunca esquecer que, entre outras coisas, é como que a capital, por excelência, do bom-gosto e requinte. Nas pequenas e grandes coisas. Não o ignorava, tanto mais que meu pai, que viveu na cidade no pós Grande Guerra de 1914-18, não se cansava de o dizer. Deixou, aliás, um acervo de postais que me serviu, juntamente com os suas descrições, para um detalhado conhecimento... à distância. Pude agora comprovar o que sabia: não há, efectivamente, cidade como Paris. Espanta a quantidade e qualidade dos seus monumentos, como é evidente. Mas, o que lhe dá um carácter especial, é o generalizado bom-gosto presente nas coisas comuns, como as casas vulgares, os bistrots, as brasseries. Há um estilo parisiense que toca com a sua graça mesmo as coisas simples. Esse será, utilizando um termo que alguém apropriadamente achou, o espírito do lugar.