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sábado, 5 de setembro de 2009

Italian Design

Romy Padovano - I Mille Volte di una Voce (1988)
Livro - Apreciação: 9,0 / 10
Um dos aspectos interessantes do percurso de Mina é a crescente importância que o grafismo foi adquirindo em torno da sua imagem, a ponto de se ter criado uma espécie de iconografia própria. Se desde o início dos anos 70 já era visível o cuidado com as capas dos discos, a partir do seu desaparecimento artístico público, com a limitação da sua actividade à edição anual de um álbum, a dimensão gráfica adquiriu mais imaginação e fantasia. O principal responsável foi o fotógrafo Mauro Belletti.
O material produzido é, em quantidade e qualidade suficiente para poder ser apreciado autonomamente. Pois, este livro é um album da iconografia de Mina, onde os artifícios fotográficos de Mauro Belletti são protagonistas. É um produto de italian design.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Oggi ti amo di più...

Mina - Oggi ti amo di più (1988)
CD Apreciação: 10 /10

Quem pretender adentrar-se na canção italiana deve começar por Mina Ana Mazzini. Desde 1958 que tem percorrido uma extensa carreira com particularidades que se ajustam a uma certa imagem de italianidade... Elegância, versatilidade, teatralidade podem definir tal imagem, incluindo o ponto de mistério que envolve o seu abandono da cena artística desde finais dos anos 70, no auge da popularidade. Contudo, a partir da cidade suíça de Lugano, onde como que se exilou, não deixou de gravar e editar todos os anos. Hoje em dia, poucos artistas terão discografia tão extensa. Tal ausência/presença mitificou-a ainda mais junto do público italiano.
De fora não é fácil aperceber a projecção de Mina em Itália. Ajudará, quanto muito, a memória que alguns ainda terão dos programas musicais da RAI nos anos 60 e inícios de 70, onde Mina era figura de destaque. 
Sob o vigente império do mainstream, como produto exportável, Mina não tem grande viabilidade comercial. Por cá, é difícil encontrar algum CD de Mina. Uma boa iniciação será através de uma antologia, mas as que se conseguem encontrar não cobrem mais do que os anos 60. Ora, sucede que a partir de 1967 Mina passou a gravar para a sua própria editora, PDU, direccionada para o mercado italiano e suíço. A grande maioria da sua discografia é, portanto, desta editora, incluindo as melhores antologias. É claro que um bom minófilo tende a torcer o nariz a qualquer antologia, encontrando motivos de escândalo por se deixar de fora um punhado de temas da sua predilecção. Ainda assim, Oggi ti amo di più é uma das mais consensuais. Basta dizer que começa, com três preciosidades consagradas: Grande, grande, grandeL'Importante e' finireAncora, ancora, ancora - esta última, note-se, nunca saiu em álbum de originais. Tem, ainda, outra mais-valia: a capa. Com efeito, se bem que o esmero visual seja uma constante dos seus álbuns, esta capa é de um invulgar romantismo. Ajusta-se na perfeição ao título, também ele de ressonância romântica.